samedi 10 septembre 2011

Separação

"Te desejo esperanças novinhas em folha, todos os dias. Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito..." ( Caio Fernando Abreu )


Você tem razão, não sou assim tão frágil para estar agora quebrada ao meio...
Sou forte em minha essência, e quando necessario, desempenho forças que até desconheço em mim...
O que quebrou foi a representação e a idealização de um "nos" que ja estava portanto morto.
Ja estavamos mortos em nossa relação ha tempos, mas aceitar a realidade nem sempre é facil, parece mais confortavel continuar a imaginar e a acreditar que tudo pode ser recolado e consertado... Nem tudo.
Não sinto raivas ou magoas, ja senti muito disso tudo, o que procuro ha tempos é me desfazer desse peso que carregamos sem mais saber por que, e que esmaga nossas vidas...
O que sei com certeza hoje é que não desisto mais de mim, não desisto mais de viver bem, não desisto mais de viver com o que sou...
E para isso, temos que aceitar que nossa relação quebrou e se encontra sem conserto...
Para isso, temos que aceitar de evoluir por nos mesmos, de continuar a vida por si, muito antes de pensar em viver com um outro...
O outro não tem que dar conta de nossos problemas e dificuldades, ele pode sim escutar, apoiar, ajudar, mas não é o responsavel pela nossa maneira de levar a vida e suas consequências...
Sinto um enorme carinho por você, que às vezes me faz chorar, por tudo o que vivemos juntos, e não sinto nesse instante qualquer arrependimento ou tristeza, passou, esta passando... Quero agora somente lembrar-me de coisas boas, pois se vivemos tantos anos juntos foi porque a origem de tudo era boa... Mas evoluimos de maneiras diferentes, por vezes opostas, e o que nos uniu ontem, nos separa hoje, talvez...
Não gostaria de saber você fora da minha vida, no entanto, desejo que você faça parte dela de outra forma.
Estou aprendendo a ser eu mesma, à medida que descubro quem eu sou... Essa escolha faz parte disso, ser autêntico tem seu preço, fazer escolhas também, e para quase tudo é uma questão de saber renunciar...
Não pretendo mais renunciar a mim mesma, pretendo me eleger, como direção da minha vida.
Quero mais do que tudo que você também aprenda a ser você mesmo, quando souber quem você é, e o que deseja ser...
Desejo sempre que sejamos capazes de nos aventurar em nos mesmos, cada vez mais, cada um consigo, para ousarmos ser o que sentimos no fundo, pois para mim no fundo, esse é o tal segredo da felicidade...

Olhos reais

Lembro também, com um carinho e alegria imensos, aquele dia da minha chegada...
Feito um soldado voltando da guerra, eu desembarquei naquela estação de trem, onde um sorriso vivido me esperava, impaciente...
E no momento em que nossos olhos se cruzaram, nada mais no mundo importava, somente estar ali, toda a espera dolorida e incerta se evaporava naquele instante...
Era ali mesmo que nossa historia realmente começava...
Anos e anos depois ainda desejamos reencontrar essas almas apaixonadas que queriam apenas, sem mais realmente saber por que, continuar unidas...
Mas nossas almas não conseguiram evoluir na mesma direção, fizemos o caminho inverso, e ha muitos meses atras eu te deixava no aeroporto, onde você partiu para bem longe, de onde eu vim. Aceitar nossa condição de oposição parece, por vezes, mais dificil do que vivê-la...
Doe tanto ver tudo isso que lutamos contra, o quanto pudemos... No entanto, o braço de ferro pode durar o tempo que for, em algum momento a realidade emerge e fechar os olhos para ignora-la se torna impossivel...
Meus olhos não se fecham mais, mesmo se em alguns momentos eles procuram reconforto entre o meu ideal e o ideal dos outros, eles ja não conseguem mais fingir que a vista embaçou...
Eles olham com emoção e tristeza uma realidade dificil de encarar, e não piscam mais, eles encaram e aceitam sem mais lutar contra o que veem, e agem em consequência...

vendredi 19 août 2011

Leveza de ser

Hoje passei o dia todo feliz.
Qual a razão?
Eu fui eu, eu estive comigo, conectada mesmo com meu ser interior, fazendo tudo de acordo comigo, no meu ritmo, satisfeita de mim e do meu caminhar...
Então pensei: quando estou assim, não tenho o que escrever!
Como assim não tenho o que escrever, se sou tomada de uma energia leve que me proporciona bem-estar e risos sem razão?
E porque não fomos acostumados a falar de felicidade, apesar de todos estarmos a sua busca, porque nossa felicidade coletiva, da sociedade, é externa a nos mesmos, ela vem de eventos, realizações, aquisições, aparências, etc... Ninguém é feliz sem razão, então não se compartilha o sentimento de felicidade sem objeto...
Pois hoje eu compartilho minha felicidade, que é hoje somente atribuida ao fato de eu ser o que sou, não o que eu gostaria de ser, o que gostariam que eu fosse, ou o que esperam de mim, nada disso.
Minha leveza de ser o que sou esta surgindo, como o sol no amanhecer, à medida que me conheço, me aceito, e aceito minha vida real, dando à ela minha direção, que é sim de ser feliz, mesmo quando tudo a minha volta parece desmoronar...
Meu rio interno chora menos, ele flui, e segue seu curso, a cada vez que me sinto assim, o que ocorre hoje com mais frequência.
Hoje sou feliz, e apesar de tantas razões para não sorrir nesse mundo de robôs, miséria e ignorância, me autorizo sim ser feliz "sem razão", e me permito ainda compartilhar...
E hoje para o mundo, eu so tenho flores para dar...

vendredi 8 juillet 2011

Felicidade, tristeza e morte

Lendo o livro: "A felicidade de ser você mesmo"*, entre o tema da felicidade, e da tristeza sentida pela ausência dela, apareceu o tema da morte.
O autor contava a historia de uma senhora de 76 anos, viuva e sem filhos, que ja havia sido diagnosticada anos antes como depressiva, e ela apresentava novamente sintomas fisicos acompanhados de muita angustia diante da morte.
Cavando mais profundamente, ela descobriu que a morte a qual temia era vivenciar mais uma morte psiquica, a morte do que ela havia deixado de ser e viver, por se anular. E no dia em que ela conseguiu se assumir, com suas dores, suas perdas, sem as fachadas faceis de carregar, ela enfim descobriu que a morte fisica não era realmente o que ela temia...
O que é interessante na reflexão do autor, é que ele convém que poderiamos passar horas discorrendo sobre a morte, seus pontos de vista filosoficos ou religiosos, mas como os vivos não podem contar suas experiências pessoais com a morte sem ter morrido, "todas as emoções sentidas e exprimidas relativas à morte, tocam de uma forma metaforica os aspectos de si mesmo, interiores, psiquicos, as partes da identidade plural não realizadas, não maturas, abortadas, inacabadas, mortas, desvitalizadas"...
Pensei no meu sentimento diante da morte, e sinto total desapego quanto a idéia de "desaparecer", não tenho nenhum arrependimento ou sensação de não ter "completado" minha vida, não, ao contrario, quando penso, ja tive tantas vidas, teria muito o que contar... Enfim, se morresse hoje, puxa, que pena: tinha a vida inteira pela frente!
Contudo, não consigo mais me importar se de fato o amanhã não chegar... Estacionei no hoje e não tenho a intenção de desocupar essa vaga...
E so isso para mim tem sido um pouquinho da tal felicidade, da qual muitas vezes desviamos sem saber, quando estamos à procura dela...
Na verdade, tenho exercitado o viver somente hoje, e isso tem acalmado muito minha ansiedade de viver...
Minhas angustias se situaram sempre no viver, nunca no morrer, mas o sentido é similar... O que não quero mais é me matar interiormente, quero ser o que sinto e sou hoje, se meu corpo morrer, não tenho muita escolha, mas posso escolher não me anular, hoje sei que posso fazê-lo...
Me falta ainda poder assumir completamente minhas dores, me assumir por inteiro, como minha inspiração, mas estou caminhando, no meu ritmo, pois sou ainda muito selvagem e suporto mal os movimentos bruscos... Continuo na minha marcha, e pareço enfim experimentar uma certa continuidade, sinto seus efeitos, o que me encoraja a continuar ainda e sempre, no hoje, até que o amanhã não chegue...

* "Le bonheur d'être soi", Moussa Abati: Fayard, 2006

vendredi 29 avril 2011

Meditação

Ha muito tempo atras fui vegetariana, não fumante e praticante do que eu chamava de meditação (associava alguns exercicios de respiração e yoga que copiava de uma revista). Essa vida durou um ano.
Essa época foi muito boa, edificante e de uma serenidade que ha muito penava a reencontrar...
Esse meu personagem da paz se perdeu quando mudei de mundo, quando vim morar aqui. Não que tenha perdido minha paz ao vir pra ca, mas mudei de personagem.
Queria muito me encontrar, me reconstruir, aprender muito e estar aberta às novas experiências, inclusive culinarias.
Então, foi como se pegasse a personagem em massa de modelar que me representava, e a tivesse amassado até fazer uma bolinha, minha essência, e tivesse recomeçado a modelar, a criar a nova personagem... (eu vivo de imagens, e abuso).
E ha uns anos atras comecei a perceber que não somente havia deixado de modelar, como havia também deixado a boneca numa caixa dentro do armario...
Ha pouco mais de um ano, enfim tive a coragem de abrir o armario e tirar a bela adormecida de la. O armario, a caixa, tudo estava tão bagunçado, tudo misturado, embramado, foi dificil começar a arrumar, me doeu e ainda doi, mas agora não tem mais volta. Fui para a terapia e aos poucos comecei a meditar...
E nestes ultimos dias, meditando, reencontrei sensações desse ano de paz, que ficou para tras, mas que era quase um modelo, pois ele me fazia sempre lembrar que o bem-estar era possivel.
Num primeiro tempo, respirando, me senti o mar, o movimento das ondas, aquele movimento da agua vindo do oceano (o ventre) até a praia (o torax), num vai-e-vem gostoso, relaxante, como so o mar sabe ser...
Alguns dias depois me senti enfim a 100% conectada comigo, o que me deu energia e me deixou serena para observar e controlar meus pensamentos que me causam ansiedade. Me senti vitoriosa, capaz de ser suficientemente consciente para poder evitar o que me faz mal, o que abre as portas da minha negatividade.
Feliz dessa (re) descoberta, coloquei um cd de musica classica que adoro, e deixei os violinos tocarem minha alma, enquanto eu respirava com as flautas, e dormi de tanto descanso mental e serenidade que senti...
E hoje so desejo ter sempre consciência e essa força interior que me faz sempre prosseguir, além das tempestades...

Depois do raio

Acho que agora sim voltei para mim, ou ao menos tenho essa impressão... Mas ja tive uma impressão semelhante ha alguns dias atras que se revelou ser "apenas" uma impressão... Quando vi, ja não me via de novo, ja me sentia sem energia ou vontade, olhar vazio, um zumbi ambulante...
Não encontrava mais quem eu era, não me encontrava quase nunca, me sentia anestesiada, sem sentir nada...
Entre o raio, a viagem e o retorno, que foi um pouco violento para o meu ser, e logo quando eu me encontrava em transição entre meus dois mundos...
Fiquei vagando por ai, num mundo paralelo, sem conseguir sair totalmente do mundo que deixava, muito menos entrar no mundo onde chegava... fiquei sem localização GPS possivel.
Na justa medida necessaria, vamos dizer que me senti perdida como depois de uma catastrofe, um trauma, um choque, pois houve um choque, o raio me chocou. Fui viajar, mas na verdade parece que sonhei ter ido ao Brasil por duas semanas, sonho gostoso...
Quando de repente acordei, estava em casa, constatando os rastros e estragos deixados pela eletricidade desse dia de tempestade. Como se o que houve entre o raio e a volta ao lar tivesse ficado entre parênteses, compacto, quase parado no tempo.
Além do fato de estar sem telefone e internet, o que talvez reforce a dificuldade em me posicionar em algum mundo. Aqui, depois do trabalho, meu mundo sou eu na minha casa, um pouco com amigos, mas muito comigo.
De certa forma tenho até apreciado esse periodo de quietude, so não aprecio quando me sinto fora e longe de mim, a ponto de me atrapalhar, não consigo me concentrar e passo a me irritar, mas ao menos o trabalho me faz acordar!
O raio deu no que falar, e o que muitos me falaram é que era um sinal, que havia uma simbologia a encontrar nesse fenômeno da natureza, necessariamente esse evento enviava uma mensagem...
Foi impressionante, ja falei, inesperado, assustador, perturbador, etc, mas não é por isso que ele carrega uma mensagem... De quem?
Minha amiga me tirou as cartas, historia de interagir comigo e quem sabe me trazer de volta. E não é que na primeira carta que tirei, a proposito a pior do jogo (e não é a morte), havia um desenho de uma torre sendo atingida por um raio, rachada ao meio...
Essa imagem me lembra alguém...
Enfim, em resumo, a mensagem das cartas em ordem e reunidas queria dizer que sim, ha um choque, uma ruptura, algo vai (ja foi?!) ser quebrado, tudo isso me levara a uma metamorfose que por si so, sera positiva...
Depois disso fiquei mais uns dois dias "fora", e hoje, depois de um dia de trabalho atipico, onde peguei a estrada para um acompanhamento a mais de 1 hora daqui, pareço estar de volta... Adoro estrada, dirigir, me sentir em movimento... O dia estava lindo, céu azul ensolarado, e minha missão era para algo leve, longo, mas tranquilo.
E assim foi, tranquilo, apesar das 9 horas sem pausa de trabalho, foi com energia e prazer. Mais tarde, ja em casa, fui capaz, de maneira simples e eficaz, de dizer "não" aos que esperavam pela minha presença no feriado de Pascoa, e aos que gostariam de cuidar das minhas coisas para na verdade cuidar deles mesmos...
Agradeço sempre o carinho e a atenção que as pessoas me dão, mas agradeço ainda mais quando elas respeitam minha liberdade de cuidar de mim segundo eu mesma, quando me deixam assumir minha vida e minhas escolhas...
O que o raio queria dizer, além de ter se manifestado como um fenômeno natural faz, eu ainda não sei, acho que ele quis me dar um bom choque, uma sacudida, para ver o que eu faria dele, do que ele deixaria em mim e de sua representação.
Metamorfose ele não causou, ela esta sempre em curso, mas ele causou muita perturbação elétrica e energética...
Se eu ainda sentirei os seus efeitos, eu também não sei, porém so sei o quanto o "apagão" que ele me causou me ajudou hoje a ser forte e serena para ajudar uns, dizer não a outros, impor meus limites e a cuidar de me mim, a me respeitar...
A minha força eu não perdi, agora tenho certeza, e é nela que eu me apego, porque ela não caiu como um raio em meu peito, ela não veio do céu, ela é parte do que sou e busco ser, da minha luz interior...
Descobri e descubro tantas coisas em mim e no mundo...
Descobri, quando achava que eu nada mais sentia e que me tornara fria, que eu me emociono ao ouvir o som de um violino ou piano...
Descobri que posso ser o que sinto, que posso decepcionar os que esperam de mim conformidades, sem sentir culpa ou peso...
Descubro a cada dia que apenas ser, eu mesma, às vezes pode ser tão simples, facil, e muito bom... 

O raio

Minha vida muitas vezes parece um filme, uma comédia dramatica eu diria... Não que ela seja de um especial interesse e particularidade, mas é o que sinto muitas vezes, e no que as pessoas me enviam como mensagem ao ouvirem de mim as coisas que conto do que vivo.
No dia em que eu peguei meu avião para o Brasil, ja ha algumas semanas atras, depois de um dia abafado e quase quente, no final da tarde uma tempestade desabou.
Minhas duas amigas queridas que me levaram no aeroporto acabavam de chegar em casa em meio a tempestade, quando de repente, um raio, ou parte dele, caiu na minha casa, na minha sala, explodindo em luz branca e eletricidade.
O choque não sentimos fisicamente, mas ficamos a nos olhar nos perguntando se haviamos realmente visto o que aparecera diante dos nossos olhos...
Primeiro ouvimos um zunido, como uma bomba ou rojão que se aproxima, foi tudo muito rapido, depois um estrondo no meio sala, acompanhado de uma luz forte, poderosa. Foi surpreendente e impressionante, a luz acabou, o disjuntor desligou. E de qualquer maneira era mais seguro deixa-lo desligado, ja que ainda vimos residuos da luz branca perto dos fios e tomadas da sala.
Quando religamos a força, o aparelho que faz telefone e internet ja não respondia... não testei a tv, somente abri a geladeira, que funcionava, e desliguei todo o resto da casa antes de pegar a estrada para Paris.
Fiquei perturbada, sacudida, esqueci até o meu ritual do aeroporto, que não é somente metodico por ser obssessivo, mas por ser util: esqueci de fazer a reserva da volta, esqueci de mostrar o cartão de fidelidade para as milhas, esqueci senha de cartão, acho que se não fosse meu passaporte nas mãos, esquecia quem eu era...
Contei aos meus queridos no Brasil minha experiência, que me marcou muito, pois tenho o corpo elétrico demais para  ja sentir medo de fios e choques, agora um raio!
Quando voltei de viagem à noite, chegando em casa, depois de quase 12 horas de um vôo desconfortavel, algum tempo num taxi em Paris no final de tarde, mais 1h30 de trem até a minha pacata Troyes, abri a geladeira cansada e com sede, e ela, desligada, cheirava mofo... Quando abri o congelador, quase desmaiei! Tinha "bicho morto", como diria minha irmã, e depois dessa fiquei até feliz em me livrar deles o mais rapido possivel e não quero tê-los em minha casa durante um momento...
Sem telefone, internet ou tv, nenhuma tomada da sala e cozinha funcionava, que recepção acolhedora da minha casinha, pensei...
Me abati, abri as malas, mas não tive energia para desfazê-las até o fim, outro ritual quebrado, pois ele me ajuda a me organizar para o retorno, principalmente se trabalho no dia seguinte...
Mas como tenho a estranha sorte de ter sempre pessoas adoraveis ao meu redor, como minha familia e meus amigos, sempre atenciosos, carinhos e cuidadosos comigo, recebi a visita da minha amiga com coisinhas para comer e seu consolo, e mais tarde a do meu amigo, que quase num passe de magica consertou o problema das tomadas e a tv e geladeira voltaram a funcionar! Ainda sem internet e telefone, mas fiquei aliviada...
No dia seguinte, fui desorganizadamente ao trabalho, depois de ter acordado quase meio-dia e com dor de cabeça. Esqueci minha memoria e guia, a agenda, fiquei me sentindo fora de mim o dia todo...
Quando cheguei em casa à noite, liguei na tomada o microondas e a cafeteira, e ela se pôs a ligar sozinha, desliguei-a. Esquentei algo no microondas e fui para sala comer tranquilamente, quando comecei a ouvir um barulhão vindo da cozinha, era a cafeteira que estava funcionando de maneira anormal e excessiva, parecia uma panela de pressão, e de repente: buuummm!!! Uma explosão de vapor, fumaça e chuva de po de café pela cozinha inteira!
Pensei: essa guerra elétrica não vai ter fim!
Ripostei: corri com medo em direção ao disjuntor e desliguei toda a eletricidade da casa, isso para poder "desarmar" a cafeteira bomba da tomada para sempre...
E nisso, fiquei perturbada e não consegui de novo me organizar, desarrumar e arrumar, malas e casa, etc, para organizar minha vida...
As vezes  me sinto um E.T, não tem como!
Minha amiga até se desesperou comigo no trabalho, ela viu no meu olhar que eu não estava ainda de volta, ela disse que estava me perdendo. Eu não estava mesmo totalmente la, estava a errar por ai, em ondas elétricas que me deixaram sem energia, entrei em curto-circuito...
Sai do trabalho com vontade de voltar à realidade e fui fazer algo detestavelmente real: fazer compras, pois a geladeira voltou, mas agora esta vazia! Cheguei em casa, fui arrumar as compras, colocar roupa na maquina, desarrumar malas, ufa, tomei uma superdosagem de realidade em pouco tempo que me fez voltar um pouquinho mais para mim, e me fez bem...
Tão bem que fui capaz de trocar a lâmpada queimada do meu quarto, sem ter que cortar a energia, pois precisava de luz, e consegui fazê-lo sem choques, sem nada explodir. Acho que começo a me sentir fio terra, agora me sinto um pouco mais em mim, e contente em quase me reencontrar...